Follow up em assessoria de imprensa: 4 erros que você deve evitar

Por Gabriel Andrade 6 min de leitura
Follow up em assessoria de imprensa

O follow up em assessoria de imprensa é uma estratégia utilizada como canal de comunicação com jornalistas de redação. A atividade é realizada principalmente na hora de acompanhar o andamento dos releases enviados à imprensa. 

Apesar de ser uma tarefa recorrente na rotina dos assessores, ainda gera algumas dúvidas sobre como efetuá-la com eficiência. Se bem executado, o follow up pode otimizar a publicação da pauta na mídia e até mesmo criar uma proximidade com o jornalista.

Do contrário, em vez de emplacar os releases e alcançar o objetivo final, há grande probabilidade de por todo o trabalho por água abaixo. Além disso, alguns erros podem prejudicar a relação entre a assessoria de imprensa e a redação jornalística em questão.

Para auxiliar o relacionamento com a imprensa e praticar um follow up efetivo, separamos 4 erros que você deve evitar no seu processo de acompanhamento para contatar qualquer jornalista. 

Erros que você deve evitar na hora de fazer o follow up em assessoria de imprensa 

1. Não conhecer a rotina da redação 

O primeiro passo para fazer um follow up assertivo é conhecer como funciona o veículo que você está se relacionando. Ligar incansavelmente ou mandar e-mails excessivos a qualquer momento do dia não surte resultado. Não adianta entrar em contato com os jornalistas após o fechamento da edição diária, por exemplo.

Por isso, elabore uma estratégia a fim de otimizar os seus contatos ao longo dos dias. Assim, além de conseguir um resultado melhor com relação à publicação das pautas, você facilita a vida dos profissionais de imprensa. 

É imprescindível que a assessoria de imprensa tenha um controle sobre os horários de fechamento de cada redação que seja necessário entrar em contato. Assim, evita qualquer chance de perder a credibilidade por não saber sequer como funciona a rotina das redações. 

2. Não dominar o assunto dos releases

Outro grande erro cometido pelos assessores de imprensa na hora de contatar o jornalista é não ter domínio sobre o assunto do release. Realizar um follow não é simplesmente questionar o profissional de imprensa ou até mesmo cobrar. É papel do assessor defender a pauta em questão. 

E para isso é preciso ter argumentos suficientes sobre o assunto tratado. Não há como vender a pauta sendo raso e superficial em relação ao tema. Faça o dever de casa e estude acerca do assunto abordado no material enviado a redação. Inclusive, o estudo pode aprimorar a qualidade e relevância dos releases. 

Vale ressaltar que apenas 10% dos e-mails enviados por assessores de imprensa aos jornalistas de redação podem ser aproveitados. É uma taxa relativamente baixa sobre a relevância e e-mails bem trabalhados. apontada por uma pesquisa realizada pelo próprio Comunique-se. 

Mais da metade dos jornalistas (61%) respondeu que receber conteúdo relevante é algo mais esporádico do que costumeiro. Além da qualidade, outro elemento que pesa sobre esse dado é a falta de critério na hora de enviar o conteúdo por e-mail. Em vez de segmentar com base no perfil do material, acaba enviando de forma massiva. 

Por outro lado, vemos que manter um bom relacionamento com jornalistas aumenta significativamente a recepção deles com relação aos conteúdos enviados.

 

Monitore a abertura do

seu release

Envie releases para os jornalistas certos e acompanhe a taxa de abertura e interação de cada e-mail. Esses indicadores contribuem para um follow mais assertivo.

release

 

3. Não ter bom senso 

Outro elemento que assessores de imprensa pecam na hora do follow up é a falta de bom senso. Extrapolam na quantidade de contatos ao longo dos dias. A inconveniência desgasta a relação. O que é extremamente prejudicial para quem atua em assessoria de imprensa. Afinal, segundo pesquisa promovida pelo Comunique-se, o (bom) relacionamento entre as partes é visto como a peça-chave para o sucesso de um assessor de imprensa por 93,9% dos participantes.

Infográfico da Comunique-se: 93,9% dos assessores consideram importante ou muito importante o relacionamento com jornalistas

Ainda com relação ao bom senso, é crucial efetuar o acompanhamento das atividades para não entrar em contato excessivamente com o mesmo o contato. Ligar a cada uma hora para obter novidades sobre o release não vai otimizar a publicação da pauta. Uma dica valiosa para saber o horário exato de aplicar o follow up é utilizar ferramentas que emitam relatórios completos sobre os envios dos releases.

Assim, é possível, por exemplo, identificar os jornalistas que abriram o e-mail com a sugestão de pauta. Dessa forma, contatar um jornalista que provavelmente já leu o material é uma estratégia de otimização. 

Além disso, com base nas informações aprofundadas dos relatórios de envios, o assessor de imprensa pode utilizar uma abordagem diferente para casos específicos. A tratativa pode ser aplicada de forma diferente. Uma linguagem para quem abriu o material e navegou pelo conteúdo e outra abordagem para quem não abriu. 

Melhores práticas para follow up

Uma dica crucial é seguir os resultados da pesquisa realizada pelo Comunique-se que foi realizada a fim de compreender as preferências dos jornalistas sobre o follow up.

De acordo com os resultados do mapeamento, o melhor horário para um jornalista de redação receber ligações de follow up de assessores de imprensa é entre 15h e 17h. Com relação ao dia, 47,2% afirmam que pode ser em qualquer dia — menos fim de semana. A segunda-feira — assim como no recebimento de releases, citado anteriormente — é o dia mais votado, com 15%.

Gráfico de barras sobre o melhor horário para jornalistas receberem ligações de assessores; o líder é 15h-17h, com 22,12%

A falta de bom senso com relação ao uso exagerado do follow up fez com que a prática recebesse destaque negativo. Na pesquisa, mencionada acima, os jornalistas foram questionados sobre as ações dos assessores que mais incomodam. E o follow up em horário indesejados foi lembrado por 6,40% dos respondentes.

Gráfico de barras sobre o que mais incomoda jornalistas em assessores; lidera garantir exclusividade falsa, com 12,87%

4. Delegar o follow up para um terceiro 

Há casos em que o follow up é executado por alguém que não produziu o conteúdo e não está imerso na estratégia elaborada para o release.

A pessoa cai de paraquedas no processo e pode pôr tudo a perder. Principalmente se não dominar a pauta a ponto de apresentar ao jornalista de forma assertiva.

Sem contar a estranheza que pode causar. O e-mail com o material é enviado em nome de um assessor de imprensa e quem faz o contato com o jornalista é outra pessoa. Torna a relação entre ambos engessada é impessoal. 

A proximidade e o diálogo devem acontecer de forma pessoal. Do contrário, o jornalista vai perceber que é apenas mais que recebeu o release. Por isso, tornar o processo humanizado e personalizado é o segredo para emplacar as pausas na mídia. 

Concluindo…

É nítido ver a importância de criar um bom relacionamento com os colegas de redação. Para desenvolver um follow up efetivo, antes de tudo, é preciso optar por uma relação humanizada com jornalistas de redação.

Fuja de qualquer processo que torne o trabalho engessado e automático. Use o follow up com inteligência e estratégia para otimizar tempo e emplacar as pautas na mídia. 

Evite qualquer tipo de contato que seja massivo e abusivo. Ao mesmo tempo que o acompanhamento dos releases podem aumentar os resultados na mídia, ele pode prejudicar todo trabalho desenvolvimento. 

Este artigo foi originalmente publicado em 1 de outubro de 2019 e vem sendo constantemente atualizado desde então.

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