Mídia espontânea: o que é?

Por Rafael Levi 5 min de leitura

Mídia espontânea é o espaço conquistado por marcas em veículos ou canais de comunicação de terceiros sem que haja recompensa financeira. É normalmente o resultado dos esforços dos trabalhos de relações públicas e assessoria de comunicação.

O formato clássico de mídia espontânea é a menção positiva de uma marca em veículos de comunicação. Por exemplo, o vídeo abaixo mostra que a Câmara Brasileira do Livro conseguiu que o Jornal das Dez, da GloboNews, fizesse a cobertura de um de seus eventos.

Perceba que a cobertura teve teor jornalístico. É justamente esta a característica central da mídia espontânea. Não se trata de propaganda, mas dos benefícios colhidos a partir da relação entre assessores de imprensa ou relações públicos e jornalistas.

No vídeo, de quebra houve a menção à Livraria Cultura, à medida que um dos entrevistados foi um executivo dessa empresa. Esta é uma outra forma de se conseguir mídia espontânea: fornecendo aos jornalistas os especialistas que sirvam de fonte para entrevistas.

Outro exemplo é a matéria abaixo, publicada pela Folha de S. Paulo tanto em sua versão impressa quanto em sua versão online.

 

Captura de tela de matéria da Folha de S.Paulo sobre feira do Sebrae com lojas-modelo virtuais, exemplo de mídia espontânea

No exemplo da Folha, o Sebrae se beneficiou da mídia espontânea.

O site americano especializado em relações públicas O’Dwyer’s explica que, para uma marca, receber a menção espontânea de um jornalista, que é neutro por natureza, significa conquistar o endosso de um terceiro. “Essa é a medalha de ouro em relações públicas. Vale mais do que criar uma propaganda, totalmente parcial”, atesta o site.

“Uma empresa pode dizer que ela é a melhor em sua área, mas essa afirmação não vai parecer verdadeira a não ser que outras pessoas também pensem e digam o mesmo”, completa um artigo do site americano Market Mentors

O site australiano Public Relations Sydney lista três grandes vantagens da mídia espontânea:

  • Ampliação da distribuição de conteúdo;
  • Construção de credibilidade;
  • Otimização do retorno sobre o investimento, já que o investimento é muito menor do que em propaganda.

Mídia espontânea ampliada

As menções em jornais e TVs é a forma clássica de mídia espontânea. Nos anos 2000, porém, a atenção de assessores e RPs se estendeu para veículos menores, como sites especializados, com públicos menores que os da grande mídia mas altamente segmentados.

De 2014 em diante, a popularização das redes sociais fez crescer primeiro nos Estados Unidos, e depois no mundo todo, o marketing de influência. Isso agora conduz os times de comunicação a buscar relacionamento não apenas com jornalistas, mas também com influenciadores — ou creators, como gostam de ser chamado os youtubers, instagrammers, blogueiros e afins.

Essa expansão do conceito de mídia espontânea para o ambiente digital ampliou também os benefícios esperados pelas empresas. O site SEO Inc já define a mídia espontânea não apenas como a menção em veículos, mas também como “receber reviews positivos e recomendações fervorosas, além do buzz em torno de uma marca”.

Tanto é que a tradicional consultoria americana McKinsey cita como exemplos de mídia espontânea o compartilhamento por usuários mensagens da marca via redes sociais. E cita, ainda, a atribuição de notas a um produto ou serviço em sites que reúnem experiências de consumidores como forma de analisar um produto.

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Não confunda as mídias

Existem basicamente três tipos de mídia à disposição das empresas, que compõem um tripé: mídia espontânea (ou “earned media”, em inglês), mídia paga (“paid media”) e mídia proprietária (“owned media”).

Mídia paga

A mídia paga é tradicionalmente caracterizada pela propaganda. A empresa simplesmente compra um determinado espaço publicitário e faz uso dele. Da mesma forma como acontece com a mídia espontânea, os players da mídia paga também buscam diversificar os formatos.

O que um dia foi o anúncio em jornais impressos no século passado, transformando-se depois em campanhas criativas na TV, avança agora para formatos digitais que podem ser confundidos com mídia espontânea.

A publicidade nativa (ou native advertising) é uma evolução do antigo publieditorial, com o diferencial de buscar a perfeita adequação de linguagem e formato ao canal em que a mensagem está inserida. Mas, essencialmente, segue a mesma lógica do velho publieditorial. É o caso do exemplo destacado abaixo. Trata-se de uma ação da Dell publicada na capa do G1.

 

Captura de tela da capa do G1 com destaque para um especial publicitário, exemplo de publicidade nativa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Embora a vinheta esclareça se tratar de “especial publicitário”, é possível que o conteúdo se confunda com mídia espontânea. Para desfazer qualquer eventual confusão, basta raciocinar desta maneira: se a Dell não pagasse, o conteúdo não estaria ali. Portanto, é mídia paga.

Mídia proprietária

Enquanto assessoria de comunicação e relações públicas são atividades capazes de gerar mídia espontânea, o content marketing (ou marketing de conteúdo) é a disciplina focada em mídia proprietária. Diz respeito à comunicação feita por uma empresa em seus próprios canais.

Segundo o Hubspot, principal ferramenta de inbound marketing do mundo, “mídia proprietária é aquela sobre a qual você tem total controle, como site, blog, contas em redes sociais etc.”

Portanto, publicar um texto no blog da empresa significa fazer mídia proprietária. Fazer com que a mesma mensagem seja reproduzida por outros sites, influenciadores e até usuários, daí configura mídia espontânea.

Concluindo…

Mídia espontânea é a conquista de menções, citações e referências espontâneas em canais de terceiros. É diferente de mídia paga e de mídia conquistada por não envolver remuneração nem canais próprios. Em última análise, a mídia espontânea é a recompensa dos esforços do trabalho de relações públicas e assessoria de comunicação.

Os três tipos de mídia não são concorrentes entre si. São apenas formas diferentes de se comunicar. Basta observar que grandes marcas brasileiras e estrangeiras utilizam bem as três. Para se restringir a apenas meia dúzia de marcas, pode-se citar Itaú, Guaraná Antarctica, Latam, O Boticário, Red Bull e Lego. Estas — e muitas outras — têm ótimo desempenho nos três tipos de mídia.

Este artigo foi publicado em 2 de maio de 2018 e vem sendo constantemente atualizado desde então.

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